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![]() Caro, Herbert Moritz ![]() Advogado, tradutor, editor Caro, o mais conhecido dos tradutores de literatura alemã no Brasil, viveu com a mulher em Porto Alegre, onde trabalhou durante 10 anos na editora Globo como tradutor e editor. Traduziu para o português Thomas Mann, Emil Ludwig, Oskar von Wertheimer, Hermann Hesse e Elias Canetti. Escrevia regularmente artigos para o jornal O Correio do Povo, fazia palestras sobre autores de língua alemã, escreveu ensaios sobre arte e literatura para jornais e revistas brasileiras, assim como os dicionários Português - Alemão e Português - Latim. Em 1960, o Ministério da Educação publicou uma coletânea de ensaios seus, intitulada Balcão de Livraria. Caro trabalhava como advogado no Tribunal de Primeira Instância de Berlim quando sua licença foi cassada em 1933 devido à sua ascendência judaica. Não podendo mais exercer sua profissão, Caro foi para a França e começou a estudar línguas românicas na Universidade de Dijon. Sobreviveu dando aulas de alemão e de tênis de mesa. Como a situação na França se complicava para os refugiados alemães, Caro começou a procurar outro país de asilo. Em 1934, voltou para a Alemanha, casou-se com Nina Zabludowski, judia de origem polonesa, e começou a tomar providências para emigrar para o Brasil. Ambos chegaram a Porto Alegre em maio de 1935. Junto com outros refugiados, entre os quais Fritz Oliven, um conhecido libretista de operetas que escrevia sob o pseudônimo de Rideamus, Caro fundou a Sociedade Israelita do Brasil, uma organização beneficente que ajudou muitos refugiados a trazer para o Brasil parentes ameaçados pela perseguição nazista. Ele próprio contou, em entrevista a Izabela Kestler: “Enviávamos nossas mulheres ao Itamaraty no Rio de Janeiro. Mulheres sabem chorar. E nós esperávamos que elas conseguissem amolecer os corações duros dos funcionários". Os livros de arte de sua biblioteca multidisciplinar estão hoje no acervo do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doadas para a instituição em 1993. Todo o material em papel existente em seu gabinete, sob a responsabilidade de seu amigo e procurador Ernst Leyser, foi doado ao departamento de memória do Instituto Cultural Judaico Marc Chagall de Porto Alegre. Fonte: Izabela Maria Furtado Kestler, Exílio e Literatura, São Paulo: Edusp, 2003. ![]() |