|
![]() |
![]()
![]() Jordan, Fred ![]() Gráfico Berlim, 1927 - São Paulo, 2001 No Brasil, desde 1936 a 2001 Gráfico autodidata alemão (Berlim, 1927 - São Paulo, 2001), Fred Jordan trabalhou pela comunicação gráfica por mais de 40 anos em São Paulo, grande parte desses ligado à Gráfica Nicollini. Aos nove anos de idade, em 1936, Fred Jordan chega a São Paulo com sua família, de origem judaica, vindo de Berlin/ Alemanha, por conta das dificuldades sofridas por lá. Entre 1944 e 1945 estuda na Escola de Belas Artes de São Paulo mas, segundo contaram os familiares, não se adapta à cultura acadêmica e seu interesse sinalizava para algo que entendemos como aplicado, utilitário. De 1945 a 1950 já trabalha para agências de publicidade como Prado, Lintas, Mc Cann Ericsson, na área de arte e criação publicitária. Em 1949, se inicia o relacionamento profissional de Jordan com a Gráfica Nicollini, no estúdio/departamento gráfico de Kurt Epstein, designer gráfico formado na Alemanha e, então, diretor artístico da gráfica. Sob sua supervisão e olhar, Jordan formou-se. Porém, sua auto-disciplina foi essencial. O desenvolvimento profissional se deu pelo contato com o mestre Epstein, mas a continuidade, os questionamentos articulares e os projetos pessoais posteriores resultam de uma composição entre conhecimento técnico, sensibilidade estética, atitude indagadora e tenacidade. Em 1952, Jordan tem a oportunidade de realizar o primeiro calendário para a Nicollini, pensado como brinde promocional que seria enviado aos clientes no final do ano. Jordan desenvolveu um projeto temático, que se renovou por décadas, até 1999, data da última peça. Ao todo 47 calendários; muitos deles se desfuncionalizariam após o ano corrente, mas com a possibilidade de serem vistos como pôster, já que as datas podiam ser picotadas, permanecendo ali uma imagem vigorosa vinda pelo desenho ou pela colagem. Jordan casou-se em fins da década de 50, com Sonja, amor de infância em Berlin e correspondente ininterrupta nestes anos de Jordan no Brasil. Mandou trazê-la. Tiveram um filho, André, e no início da década de 60, Jordan construiu sua casa-ateliê na Granja Viana/Cotia, São Paulo. Uma construção rodeada pela vegetação da mata atlântica. Sua carreira na Nicollini foi construída lentamente e, a partir de 1979, já diretor artístico, passa a ter com a gráfica uma relação profissional de consultoria e não mais de empregado. A casa-ateliê é agora, também, seu escritório. Jordan trabalhou com calendários, predominantemente, e é reconhecido por isso, mas também desenvolveu embalagens, logos e identidade visual, publicidade gráfica, sempre aliados a projetos experimentais, não utilitários, que se nutriram mutuamente, em nossa compreensão. Em particular, há uma série de colagens de Jordan feitas com aparas de embalagens, que demonstram claramente este diálogo. Embora tenha tido contato e alguma proximidade com os comunicadores visuais oriundos de uma matriz concreta, Jordan não participou de movimentos, manifestos ou bandeiras neste sentido. Numa linha nada reta, Jordan construiu seu trabalho e em 1978 recebeu divulgação e reconhecimento na exposição Jordan Gráfico, no MASP, sob a curadoria do próprio Pietro Maria Bardi. Dominava completamente o processo gráfico de impressão, da fase inicial até o acabamento. No entanto, este rigor técnico, ou talvez por conta dele mesmo, fez com que Jordan iniciasse reflexões teóricas sobre a Cor, a partir da teoria de Goethe, deixando alguns escritos, experimentos e, claro, calendários (aqueles feitos entre 1984 e 1992). A maioria destes trabalhos é acompanhada de textos, aprofundando idéias e pensamentos, complementando a representação e a linguagem gráfica. Jordan falece em São Paulo em 2001 e, embora não tenha se naturalizado, gostava de ser um designer brasileiro e assim quis ser lembrado. Fonte: https://iade.pt/designist/pdfs/002_02.pdf. ![]() |